A Reforma Tributária brasileira, com a implementação do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), promete simplificar o sistema e impulsionar a economia. No entanto, seus impactos não serão uniformes, impactando de diferentes formas os diversos setores da economia.
A questão central para muitos empresários é: minha empresa vai pagar mais ou menos impostos com a Reforma Tributária?
A resposta é importante porque os impactos não serão iguais para todos. Enquanto alguns segmentos devem ganhar competitividade e reduzir custos, outros podem enfrentar aumento da carga tributária e necessidade de revisão de preços e margem.
Neste artigo, você entenderá quais setores tendem a sair na frente e quais precisarão se preparar melhor para o novo cenário fiscal.
Quais setores serão mais beneficiados pela Reforma Tributária?
A principal vantagem do novo modelo está na eliminação da tributação em cascata, ou seja, a cobrança de imposto sobre imposto, e na ampliação do aproveitamento de créditos tributários.
Nesse novo cenário, empresas com cadeias produtivas longas e alto volume de compras tendem a ser as maiores beneficiadas.
Empresas exportadoras:
As empresas exportadoras estão entre as principais beneficiadas com a Reforma.
O novo sistema elimina diversos custos tributários que hoje reduzem a competitividade dos produtos brasileiros no exterior. Além disso, operações ligadas à exportação terão mecanismos mais eficientes de recuperação de créditos fiscais.
Principais benefícios:
- Redução do custo tributário nas exportações;
- Maior competitividade internacional;
- Recuperação mais rápida de créditos;
- Menor impacto da cumulatividade de impostos.
Indústria:
O setor industrial deve experimentar uma redução efetiva da carga tributária com a Reforma Tributária.
Com o IBS e a CBS, será possível aproveitar créditos de forma integral ao longo de toda a cadeia produtiva, reduzindo significativamente o efeito cascata da tributação.
Segmentos com potencial de maior ganho:
- Siderurgia;
- Mineração;
- Papel e celulose;
- Bens de capital;
- Indústria de transformação.
Além disso, a simplificação tributária tende a reduzir custos administrativos e aumentar a previsibilidade para investimentos.
Quais setores serão mais beneficiados pela Reforma Tributária no agronegócio?
O agronegócio se beneficiará com alíquotas reduzidas e isenções.
O setor contará com benefícios relevantes, incluindo:
- Isenção para pequenos produtores rurais;
- Alíquota zero para produtos da cesta básica;
- Redução de tributos para diversos alimentos;
- Incentivos para exportação;
- Redução da cumulatividade tributária.
Essas medidas fortalecem a competitividade do setor e ajudam a reduzir os custos ao longo da cadeia produtiva.
Construção Civil
A construção civil terá uma redução de 50% nas alíquotas. A reforma também deve estimular a industrialização, eliminando a distinção tributária entre o que é fabricado dentro ou fora do canteiro de obras.
Nesse contexto modelos modernos, como construção modular e pré-fabricada, tendem a ganhar espaço no mercado.
Quais setores serão mais prejudicados pela Reforma Tributária?
Apesar dos benefícios esperados para diversos segmentos, alguns setores poderão enfrentar aumento de custos e necessidade de adaptação.
Em muitos casos, isso acontece porque essas empresas possuem poucos insumos tributáveis e, consequentemente, menor geração de créditos fiscais.
Setor de Serviços
O setor de serviços é frequentemente apontado como um dos mais impactados pela Reforma Tributária.
Hoje, muitas empresas operam com alíquotas reduzidas de PIS e Cofins e de ISS. Com a implementação do IVA Dual, a carga tributária efetiva pode aumentar para determinados modelos de negócio.
Entre os segmentos mais expostos estão:
- Escritórios de contabilidade;
- Clínicas médicas;
- Consultorias;
- Empresas de tecnologia;
- Agências de marketing;
- Instituições de ensino;
- Escritórios de advocacia.
Como possuem poucos insumos geradores de crédito, essas empresas podem enfrentar maior dificuldade para compensar os novos tributos.
Como sua empresa pode se preparar para a Reforma Tributária?
Independentemente do setor de atuação, algumas medidas devem ser adotadas desde já:
- Revisar o planejamento tributário;
- Simular cenários futuros de tributação;
- Avaliar impactos na precificação e margem de lucro;
- Revisar contratos e margens;
- Identificar oportunidades de créditos fiscais;
- Atualizar processos contábeis e financeiros;
- Buscar orientação especializada.
Quanto antes a empresa iniciar esse processo, maiores serão as chances de adaptação sem impactos significativos na rentabilidade.
Perguntas Frequentes (FAQ)
- Por que o setor de serviços pode ser prejudicado pela reforma tributária?
O setor de serviços, que hoje se beneficia de regimes cumulativos com alíquotas mais baixas (como PIS/Cofins a 3,65%) e alguns segmentos contam com alíquotas reduzidas do Imposto sobre Serviço (ISS). Nesse contexto, uma alíquota do IVA (IBS/CBS) estimada em 25-27% será significativamente maior, associado ao fato que muitas empresas do setor possuem poucos insumos geradores de crédito tributário para abater do imposto a pagar.
- Como a reforma pode beneficiar o agronegócio?
O agronegócio é beneficiado por isenções para pequenos produtores (até R$ 3,6 milhões de faturamento anual), alíquota zero para produtos da cesta básica, e redução de 60% para outros alimentos e insumos agrícolas. A não cumulatividade e os incentivos à exportação também contribuem para a redução da carga tributária e o aumento da competitividade do setor.
- O que é o Imposto Seletivo e quais setores ele afeta?
O Imposto Seletivo (IS), também conhecido como “Imposto do pecado”, será cobrado sobre produtos que prejudicam a saúde ou o meio ambiente. Ele afeta setores de bebidas açucaradas e alcoólicas, produtos fumígenos (cigarros), veículos, embarcações, aeronaves, bens minerais e fantasy sport, aumentando a carga tributária sobre esses itens.
- Como o Simples Nacional será afetado com a Reforma Tributária?
Empresas do Simples Nacional poderão continuar recolhendo os tributos de forma unificada dentro do DAS, não sendo inicialmente diretamente impactadas. No entanto a Reforma Tributária permite que empresas desse regime recolham o IBS/CBS por fora do Simples Nacional, permitindo assim a geração e aproveitamento de créditos de forma integral. Nesse cenário as empresas do Simples Nacional precisarão decidir qual a melhor estratégia a ser adotada dependendo em que parte da cadeia produtiva o segmento está inserido.
- Já vale a pena fazer um planejamento tributário antes da implementação da Reforma Tributária?
Sim. Empresas que realizarem análises antecipadas terão mais tempo para ajustar preços, processos e estratégias fiscais. É preciso ainda de antecipar e entender os reais impactos da Reforma Tributária em cada modelo de negócio de forma individualizando, analisando custos, fornecedores, clientes, contratos e preço praticado.
Sua empresa está preparada para a Reforma Tributária?
A grande questão não é apenas saber se o seu setor será beneficiado ou prejudicado. É fundamental que empresários e gestores analisem de forma aprofundada o impacto específico em seu negócio de modo a reavaliar estruturas, precificação e planejamento tributário.
A Almeida e Oliveira Contabilidade, em Salvador, acompanha de perto todas as regulamentações da Reforma Tributária e oferece suporte completo para empresários transformem as mudanças da Reforma em estratégias de preço, margem e lucro.
Nossa equipe realiza:
- Análise de margem de produtos e serviços;
- Simulações de impacto da reforma;
- Revisão de preços e atualização com a nova estrutura tributária;
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